segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Jornais eletrônicos ou impressos?

Hoje vou dedicar esse post a falar a respeito dos jornais eletrônicos. Mas, em primeiro lugar, o que são jornais eletrônicos? Jornais eletrônicos são aqueles que produzem, coletam e distribuem informações através de redes de computadores (Internet) ou meios digitais (ROZADOS, 2009?, online). Eles surgiram em meados da década de 90 e, em um primeiro momento, eram simples transposições da versão impressa para o meio digital, depois passaram a ser uma mescla dessa mesma versão impressa, mas com alguns toques de interatividade, e, após, passaram a ser produtos totalmente novos, dedicados à internet e bem diferentes da versão impressa, como bem colocam Mielniczuk (2001?, online) e Quadros (2002, online). O Jornal passou, então, de produto a serviço (ALVES, 2006, online), já que o leitor deixou de ler um produto acabado e passou, ele próprio, a escolher as notícias de seu interesse, formando o “seu jornal”, através de programas que permitem ao internauta selecionar as notícias que deseja saber, a hora que quiser.
Os jornais eletrônicos possuem caráter imediatista e interativo, pois a qualquer momento e de qualquer lugar, um jornalista “conectado” pode publicar um fato que está ocorrendo (veja bem, eu não disse “ocorreu”). Isso regado a um texto informal podendo conter imagem e, mais do que isso, som e vídeo (artifícios que não podem ser usados na versão impressa de um jornal). Além disso, os jornais eletrônicos permitem atualizações constantes e maior interatividade entre jornalista e público (MIELNICZUK, 2001?, online), que pode participar e contribuir através do próprio site ou mesmo por twitters e blogs. Soma-se a isso a possibilidade de na Internet podermos “linkar” para outros assuntos de maior interesse, pesquisar nos bancos de dados existentes ou, até mesmo, para a leitura sobre a mesma notícia, porém mais completa, com um texto maior. Um ponto muito interessante, tocado por Quadros (2002, online) é que os jornalistas que escrevem para os jornais eletrônicos devem perceber que estão agora escrevendo para o mundo e não para uma comunidade específica, dessa forma, globalizando a informação. Outra questão que chama a atenção é o custo muito menor de se produzir um jornal eletrônico comparativamente com o jornal impresso.
Talvez tudo o que eu escrevi sejam consideradas causas para a tão polêmica questão do fim do jornal em papel. Porém não acredito nisso. Creio que sejam produtos diferentes, cada qual com o seu espaço e seu público. Manta (1997, online) coloca em seu texto “O Fim do Jornal Impresso?” que o jornal eletrônico é um instrumento complementar, podendo jornal impresso e jornal eletrônico conviverem juntos. Mas, é claro, tudo isso “mexeu” com os demais canais de informação, que se viram obrigados a se adaptar a essa nova tendência. Então, tudo isso fez com que determinados canais de informação alterassem seus produtos, até como forma de concorrência para sobreviver no mundo cada vez mais “internético”. Por exemplo, os jornais impressos estão “linkando” seus textos, que estão menores em tamanho, para outros assuntos que estão interligados, além disso, estão se valendo do uso de cores (ROZADOS, 2009?, online). Também estão se valendo dos jornais eletrônicos como fonte de informação para as notícias que são publicadas. Percebo não só no jornal impresso, mas também na TV, a veiculação de notícias de caráter atemporal, como muitas vezes encontramos nas revistas. Essa adaptação dos canais de comunicação vem ao encontro do “midiacídio” colocado por Alves (2006, online), que acredita na morte dos meios informacionais que não se adaptarem aos novos tempos de notícias na Internet.
E onde fica o bibliotecário nessa história? Acredito que o bibliotecário tenha sim o seu lugar nesse mercado de trabalho, já que para os links e para o armazenamento das informações “é preciso ter por trás da geração da notícia (...) um poderoso sistema de indexação, catalogação e entrega, através de ferramentas de gerenciamento de dados” (QUADROS, 2002, online). Alves (2006, online) também fala na indexação do meio digital como forma de acumular conteúdos. É claro que hoje em dia existem sistemas que executam esses serviços citados, mas também é claro que alguém deve pensar em como esses sistemas devem funcionar, para uma boa indexação e catalogação, a fim de que o usuário recupere a informação que necessita. E é nesse nicho que vejo o bibliotecário.


REFERÊNCIAS

ALVES, Rosental Calmon. Jornalismo digital: Dez anos de web… e a revolução continua. Comunicação e Sociedade, v. 9-10, p. 93-102, 2006. Disponível em: <http://moodleinstitucional.ufrgs.br/mod/resource/view.php?id=101617>. Acesso em: 25 out. 2010.

MANTA, André. O Fim do Jornal Impresso? Salvador: 1997. Disponível em:<http://www.facom.ufba.br/pesq/cyber/manta/Guia/cap18.html>. Acesso em: 25 out. 2010. 1997.

MIELNICZUK, Luciana. Características e implicações do jornalismo na Web. Salvador: FACOM/UFBA, 2001?. Disponívem em: <http://moodleinstitucional.ufrgs.br/mod/resource/view.php?id=101616>. Acesso em: 25 out. 2010.

QUADROS, Claudia Irene de. Uma breve visão histórica do jornalismo on-line. In: INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, XXV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Salvador, 2002. Disponível em: <http://moodleinstitucional.ufrgs.br/mod/resource/view.php?id=101615>. Acesso em: 23 out. 2010.

ROZADOS, Helen Beatriz Frota. Tema 6: Jornais Eletrônicos. Porto Alegre: FABICO/UFRGS 2009?. Texto em apresentação de slides. Disponível em: <http://moodleinstitucional.ufrgs.br/course/view.php?id=10743>. Acesso em: 23 out. 2010.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O YouTube EDU

Ainda dentro da discussão sobre o uso de vídeos na educação (post anterior), hoje falarei sobre onde se encontram esses vídeos no espaço cibernético.
Os tais vídeos tratados aqui ficam armazenados no que se chama de repositório de vídeos, sistemas que nos permitem recuperar, compartilhar e visualizar esses vídeos (RIBEIRO et al, 2009?) através da internet. Nesses sistemas as pessoas podem colocar os seus vídeos, sejam eles puro entretenimento e diversão ou com caráter mais educativo e informacional (geralmente, sem custo algum), e disponibilizá-los ao mundo. Assim, o vídeo está ali, para quem quiser acessar através de um clique. Bons exemplos de repositórios de vídeos são o YouTube e o Google Vídeos.



O acesso aos vídeos nesses repositórios tornou-se tão popular no mundo inteiro que a diversificação dos temas ali encontrados e o propósito de utilização dos vídeos rendeu os professores e pesquisadores, chegando à sala de aula e tornando-se uma fonte de informação. Assim, temos hoje os repositórios de vídeos educativos, que reúnem vídeos de caráter educativo, com o objetivo de auxiliar o professor na aula, seja complementando um assunto, com exemplos e práticas, seja dando uma matéria nova mesmo. Aqui temos um aspecto muito interessante, já que através do vídeo um professor pode ilustrar, por exemplo, uma reação química, que não poderia ser mostrada ao vivo, ou mesmo pode mostrar como se faz determinada cirurgia em animais, sem para tanto necessitar fazer a cirurgia. O uso de vídeos em aulas permite economia de tempo, dinheiro e, mais importante de tudo, poupa animais de experiências. Além disso tudo colocado, os repositório de vídeos educativos tornaram-se ótimos pontos de troca de idéias entre os pesquisadores, globalizando cada vez mais o conhecimento. E, como bem coloca DallaCosta (2007, p. 25), “... a utilização de vídeos... torna as nossas relações com o saber e a construção do conhecimento compatível com a realidade do nosso tempo.”
Um ótimo exemplo de repositório de vídeo educativo é o YouTube EDU. Lançado em março de 2009, nasceu voltado para as universidades (principalmente) e também para as escolas, composto por vídeos com passeios pelos campi das universidades, notícias sobre pesquisas, palestras de professores e cursos dos mais diversos assuntos, acompanhando o movimento mundial de vídeos educativos abertos (YOUTUBE, online, 2009 (01)). O YouTube EDU tem origem em um projeto voluntário de um grupo de funcionário que desejava coletar e armazenar o conteúdo educacional enviado por colégios e universidades ao YouTube; é considerado o melhor resultado não intencional da empresa, que acredita estar contribuindo para a democratização do ensino (YOUTUBE, online, 2009 (03)). Possui material de várias universidades do mundo (Estados Unidos, Inglaterra, França, Rússia, Brasil, só para citar alguns países) e desde outubro de 2009 o YouTube EDU é internacional, já que oferece vídeos em diversos idiomas (quando se entra na página, o idioma que aparece é o nosso próprio, porém é possível fazer a busca em outros idiomas) (YOUTUBE, online, 2009 (02)).



No YouTube EDU é possível pesquisar um vídeo utilizando termos livres, mas não se consegue refinar a pesquisa, a menos que se vá para o YouTube e lá se defina os parâmetros; também é possível publicar vídeos, bastando para isso inscrever-se.
Acesse o YouTube EDU e descubra tudo o que esse repositório tem a oferecer, porque vale a pena! Nossas aulas e trabalhos nunca mais serão os mesmos!


REFERÊNCIAS:

DALLACOSTA, Adriana. Os Usos Pedagógicos dos Vídeos Digitais Indexados. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2007. 195 f. Tese (Doutorado em Informática na Educação) - Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação, Universidade Federaldo Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007. Disponível em: <http://www.adrianadallacosta.com.br/pdfs/000643030.pdf>. Acesso em: 18 out. 2010.

RIBEIRO, Patric da S. Ribeiro; FRANCISCATO, Fábio T.; MOZZAQUATRO, Patrícia M.; MEDINA, Roseclea D. Repositório de vídeos educacionais adaptado as necessidades tecnológicas de usuários de dispositivos móveis. Disponível em: <http://www.inf.pucminas.br/sbc2010/anais/pdf/wie/st05_04.pdf>. Acesso em: 18 out. 2010.

YOUTUBE. Higher Education for All. Broadcasting Ourselves ;) The Official YouTube Blog. 27 mar. 2009 (01). Disponível em: <http://youtube-global.blogspot.com/2009/03/higher-education-for-all.html>. Acesso em: 18 out. 2010.

 

YOUTUBE. Release Notes: 3/26/2009. Broadcasting Ourselves ;) The Official YouTube Blog. 26 mar. 2009 (03). Disponível em: <http://youtube-global.blogspot.com/2009/03/release-notes-3262009.html>. Acesso em: 18 out. 2010.

 

YOUTUBE. The Global Classroom on YouTube EDU. Broadcasting Ourselves ;) The Official YouTube Blog. 01 out. 2009 (02). Disponível em: <http://youtube-global.blogspot.com/2009/09/global-classroom-gets-bigger-with.html>. Acesso em: 18 out. 2010.
http://www.inf.pucminas.br/sbc2010/anais/pdf/wie/st05_04.pdf>. Acesso em: 18 out. 2010.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Vídeos na Educação?

Como eu já havia recordado em um post anterior, segundo muitos “uma imagem vale mais que mil palavras”. A mensagem desse dito popular de autoria desconhecida é de fácil compreensão tanto para leigos, como para publicitários e até mesmo para profissionais da ciência da informação. Mas será que é verdade? Será que o uso do recurso visual facilita tanto a transmissão de uma idéia? Diante desse questionamento, hoje vamos falar, então, do uso do vídeo como fonte de informação: como ele pode ser uma ferramenta auxiliar da construção do conhecimento e, ainda, analisar se seu auxílio realmente facilita esse processo.
Em primeiro lugar, o que é o vídeo afinal? Segundo ROZADOS (2009?), vídeo vem do latim videre, eu vejo, e significa, nos dias de hoje, uma gravação de imagens em movimento, isso é uma imagem animada resultante de processos de armazenamento eletrônicos. Percebam que o conceito de vídeo apresentado nos remete à idéia não só de uma imagem, mas também de movimento. Para prender a atenção do receptor da mensagem, tão interessante quanto a imagem em si, é a seqüência de imagens ou movimentos que são exibidos junto com a idéia central que for apresentada. Dallacosta et al (2004?) salientam ser fundamental que sejam utilizados elementos do cotidiano dos espectadores para a construção do conhecimento, o que leva esses autores a concluir que é indispensável a utilização de vídeos na atualidade. A conclusão dos autores faz todo o sentido quando verificamos que os profissionais da ciência da informação já se renderam ao encanto da apresentação visual inclusive como forma de divulgar seu trabalho. É... Não está fácil convencer um estudante recém saído dos bancos escolares do ensino médio que ser bibliotecário é bacana. As inúmeras referências televisivas e cinematográficas a profissões como médico, advogado, jornalista, entre outras, faz com que a ciência da informação não esteja exatamente revestida de muito glamour (Hollywood ainda não nos descobriu, pelo jeito). Por isso mesmo, interessante a iniciativa descrita por Eggert e Martins (1996) de produzir um vídeo para divulgar a carreira de bibliotecário e conscientizar a sociedade de sua importância. Nossa mensagem não vai ser levada ao público em geral sem difusão e, mais importante, sem algum apelo visual que prenda a atenção do espectador. A atenção e aprendizado envolvem diversos sentidos. Assim, a possibilidade de usar a visão e audição de forma simultânea tende a fazer com que o receptor capte melhor a mensagem que é transmitida. Essa idéia também é confirmada no texto de Caetano e Falkembach (2007?), em que os autores colocam que o vídeo é uma ferramenta poderosa no que se refere à transmissão de informação aos alunos. Esses autores colocam que o aluno assiste aos vídeos de forma passiva, os quais se direcionam mais à efetividade do que à razão, desse modo, a informação transforma-se em conhecimento.
Moran (1995), em seu texto “O Vídeo na Sala de Aula”, apresenta as propostas de utilização de vídeo em sala de aula: sensibilização (provoca a curiosidade do estudante), ilustração (coloca imagem nos textos dos alunos), simulação (de reações químicas, de procedimentos médicos, de experiências), conteúdo de ensino (de forma direta – trata de tema específico - ou indireta – diversas abordagens), produção (documentação, intervenção e expressão), avaliação (do aluno, do professor), espelho (para compreensão de si mesmo) e integração/suporte (com outros meios de comunicação e com outras mídias).
Claro, devemos evitar o caminho mais fácil para atrair a atenção. Senão, estaremos nos igualando às campanhas publicitárias de cervejarias, que invariavelmente usam mulheres bonitas em trajes sumários e alusões ao verão para divulgar seu produto. Como disse MERIGO (2007)), não há ilustração de dados científicos comprovando o sucesso de uma cerveja devido a sua relação com sexualidade, embora esse blogueiro afirme que “um amigo que já trabalhou com a cerveja líder do país”, após intensa pesquisa de campo, lhe disse: “se não tiver cartaz de mulher pelada no ponto-de-venda, vende menos.” O próprio blogueiro indaga: será? Na minha leiga opinião sequer há uma preocupação com a marca nesse tipo de anúncio, pois todas as propagandas são iguais e, no final o público lembra é da Juliana Paes no balcão, e não da marca do produto. O objetivo da campanha é só fomentar o consumo da bebida. Primeiro se convence o indivíduo que “para se dar bem” tem que beber cerveja. A escolha de uma marca, bom, isso se consolida depois tentando exclusividade com o dono do botequim... O desafio no uso do vídeo é, portanto, usar a ferramenta audiovisual com conteúdo, atraindo a atenção do público sem cair no escracho.
Os textos referidos acima, especialmente os de Rozados e Dalacosta et al, dão inúmeras opções de mídias digitais para a confecção de vídeos. Com ferramentas com a página do Youtube na rede digital de computadores (a nossa conhecida Internet) é muito fácil registrar os vídeos que, por sua vez, são facilmente gravados com áudio e tudo por câmeras digitais facilmente encontradas no mercado em módicas dez prestações no cartão de crédito (nosso velho costume do endividamento a médio e longo prazo). O mais difícil é divulgar a existência de seu vídeo e, mais ainda, fazer com ele seja atraente para o público em geral. Bom, isso não pode ser empecilho para que nós profissionais da ciência da informação não utilizemos esse recurso para divulgar idéias e transmitir conhecimentos. Afinal, se a literatura e o cinema já conseguiram glamourizar a profissão de professor de simbologia religiosa (quem não ouviu falar do Código Da Vinci de Dan Brown?), não é possível que não consigamos chamar a atenção para nós bibliotecários, não é mesmo?

Referências:

CAETANO, Saulo Vicente Nunes; FALKEMBACH, Gilse A. Morgental. You Tube: uma opção para uso do vídeo na EAD. 2007?. Disponível em: <http://moodleinstitucional.ufrgs.br/mod/resource/view.php?id=119078>. Acesso em: 03 out. 2010.

DALLACOSTA, Adriana et al. O Vídeo Digital e a Educação. 2004?. Disponível em: <http://moodleinstitucional.ufrgs.br/mod/resource/view.php?id=101606>. Acesso em: 03 out. 2010.

EGGERT, Gisela; MARTINS, Maria Emília Ganzarolli. Bibliotecário. Quem é? O que faz? Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. l., n. l, p. 45-48, 1996. Disponível em: <http://moodleinstitucional.ufrgs.br/mod/resource/view.php?id=101607>. Acesso em: 03 out. 2010.

MERIGO, Carlos. Cervejas e mulheres. 2007. Disponível em: <http://www.brainstorm9.com.br/diversos/cervejas-e-mulheres/>. Acesso em: 03 out. 2010.

MORAN, José Manuel. O Vídeo na Sala de Aula. Comunicação & Educação, São Paulo, ano 2, n. 27 a 35, jan./abr. 1995. Disponível em: <http://moodleinstitucional.ufrgs.br/mod/resource/view.php?id=101605>. Acesso em: 03 out. 2010.

ROZADOS, Helen Beatriz Frota. Tema 4: Vídeo. FABICO/UFRGS, 2009?. Texto em apresentação de slides. Disponível em: <http://moodleinstitucional.ufrgs.br/course/view.php?id=10743>. Acesso em: 03 out. 2010.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Banco de Imagens

Para escrever este post me lembrei dos meus trabalhos na escola, em que para colocar uma imagem tínhamos que recorrer às fotocópias de livros. Agora penso na minha filha na escola, que para colocar uma imagem em qualquer trabalho seu basta apenas um click para surgirem milhares de imagens! E isso é muito bacana! A disponibilidade de imagens na internet possibilita que as utilizemos em trabalhos, vídeos e possamos também visualizar lugares, pessoas e objetos que não conheçamos. Assim, tornando a nossa vida bem mais interessante, não?
AUMONT (1993) coloca que as imagens sempre ocuparam espaço na nossa História, assumindo diferentes funções: simbólica (símbolos religiosos), epistêmica (informações a respeito do mundo) e estética (provoca sensações).
Arquivo: Fonte pessoal.
Muñoz Castaño, no seu artigo Bancos de imágenes: evaluación y análisis de los mecanismos de recuperación de imágenes, coloca que os bancos de imagens surgiram a partir do crescimento da internet e da foto digital, a fim de disponibilizar imagens para o mundo todo. O autor também coloca que as imagens podem ser sujeitas a direito ou podem ser imagens de uso livre, assim, os bancos de imagens oferecem acesso e serviços diferenciados.
Os bancos de imagens de uso livre podem ou não ser gratuitos, o que implica diversas formas de acesso e serviços oferecidos. Um ponto muito interessante colocado pelo autor é que somente os bancos de imagens podem negociar imagens (intermediando o usuário e o autor), limitando a idéia de globalização que a internet nos traz. As imagens dos bancos pagos podem ser modificadas e utilizadas quantas vezes se desejar. A busca de imagens pode ser feita através de termos ou mesmo de características das imagens que estamos em busca; por exemplo, podemos fazer buscas por termos abstratos (curiosidade, loucura, carinho, etc.), animais e natureza, arte e arquitetura, comida e agricultura, pessoas e estilos de vida, viagens e cultura, entre outros. E também podemos fazer buscas pela cor, plano, número de pessoas, e mais; porém são poucos os bancos de imagens que permitem esse tipo de busca mais detalhada.
Arquivo: Fonte pessoal.
Já as imagens sujeitas a direito são aquelas em que há direito de propriedade e exploração (os bancos de imagens pagam royalties aos autores) e o direito de imagem (privacidade; um exemplo atual são os famosos processos de celebridades contra paparazzis), a menos que se use uma foto de uma personalidade pública para fins não comerciais (livros, notícias, etc.). As imagens desse grupo não podem ser modificadas nem utilizadas de modo ilimitado.
Como colocado no meu post anterior, a catalogação de imagens, seja em um banco de dados, seja em uma unidade de informação, exige um esforço de caráter cognitivo do profissional da informação. Uma imagem pode significar muitas coisas, e esses significados precisam estar cadastrados a fim de que a informação seja recuperada pelo usuário. Por isso mesmo, nos bancos de imagens, a linguagem dos tesauros utilizada possui termos específicos e subjetivos. Um bom exemplo de construção de indexação de imagens está em “Gerenciamento eletrônico de documentos: criação de um banco de informações e imagens no Arquivo Permanente da UNICAMP”, de BARBIERI, INNARELLI e MARTINS (2002), em que os autores colocam que para cadastra as imagens se valeram de matérias de jornais, revistas, documentos e entrevistas com participantes encontravam nas fotografias.
Arquivo: Fonte pessoal.
Para finalizar esse post, já que estamos aqui falando sobre imagens, não posso deixar de discutir aqui a questão do direito autoral. BASSO (2000) coloca que O que chamamos de direito de propriedade intelectual se divide em dois ramos: o direito autoral, que diz respeito às obras artísticas (livros, músicas, etc.) e o direito industrial (invenções, marcas e patentes). A origem desses direitos tem a idéia de garantir a remuneração do artista ou inventor pela sua criação. Contudo, diria que o direito autoral, mais que o aspecto econômico, atualmente, objetiva a proteção intelectual do autor, que tem a sua obra vastamente difundida (por causa da internet) sem receber crédito algum, ou pior, às vezes, creditado a outra pessoa. Não se pode impedir que as pessoas acessem às imagens na internet, mas se pode fazer um trabalho de conscientização das pessoas para que respeitem a obra do autor, fazendo sempre uso de referências.

Referências
AUMONT, Jacques. A Imagem. Campinas : Papirus, 1993. Disponível em: <http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=8IzbrL5Mm4UC&oi=fnd&pg=PA13&ots=4wvZzIaqgI&sig=3MVLmlDhS2nFnFxm3kZ-dlk0lHM#v=onepage&q&f=true>. Acesso em: 26 set. 2010.

BARBIERI, Cristina Correia Dias; INNARELLI, Humberto Celeste; MARTINS, Neire do Rossio. Gerenciamento eletrônico de documentos: criação de um banco de informações e imagens no Arquivo Permanente da UNICAMP. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE ARQUIVOS BIBLIOTECAS CENTROS DE DOCUMENTAÇÃO E MUSEUS, 1., 2002. Textos... São Paulo: Imprensa Oficial, 2002. p.53-66.

BASSO, Maristela. O direito internacional da propriedade intelectual. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2000.

MUÑOZ CASTAÑO, Jesús E. Bancos de imágenes: evaluación y análisis de los mecanismos de recuperación de imágenes. El profesional de la información, v. 10, n. 3., p. 4-18, mar. 2001.

QUEIROZ, Daniela Gralha de Caneda; GONÇALVES, Karen Regina; LOPES, Maria Célia Azevedo. O Direito Autoral. Porto Alegre, 2009. Disponível em: <http://informacaonainternet.blogspot.com/2009/12/o-direito-autoral.html>. Acesso em: 26 set. 2010.


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Mais que mil palavras

O provérbio nos diz que uma imagem vale mais que mil palavras. Será verdade? Acho que sim. Uma imagem pode nos transmitir um mundo de informações, sem dizer uma só palavra. O mais legal é que o que uma imagem pode me transmitir, pode não ser a mesma mensagem transmitida a você, e vice-versa. Mais fantástico ainda: pode não ser o que o dono da imagem quis dizer! Através de uma imagem podemos perceber detalhes, sentimentos, histórias, mensagens, segredos... Uma imagem pode ser puramente arte, jornalística, lazer, mas todas tem algo em comum: dizer algo muito além do papel em que está impressa.
A história da fotografia remonta ao século XVI, mas somente no século XIX foi produzida a primeira fotografia. Em “Fotografia: a linha do tempo”, de Ênio Leite, é possível conhecer a história da fotografia, seguindo sua linha do tempo. Museus, arquivos e bibliotecas guardam a evolução da fotografia, que nos conta a história, nos mostra eventos, desmistifica lugares pelo mundo, enfim, preserva a nossa memória.
Rosi Cristina da Silva, Bibliotecária-Arquivista da Coordenação de Iconografia e Documentos Textuais da Fundação Joaquim Nabuco (Recife/PE), em “O Profissional da Informação Como Mediador entre o Documento e o Usuário: a experiência do acervo fotográfico da Fundação Joaquim Nabuco”, descreve a importância da imagem para a memória coletiva (e eu vou além: importância da imagem para a recuperação de informação). Ela coloca que os acervos fotográficos descrevem lugares, retratam acontecimentos históricos, servem como apoio pedagógico, explicam fenômenos científicos, etc. Daí a importância de uma política de preservação de acervos fotográficos. Para a autora é imprescindível que o profissional da informação organize, descreva, indexe, armazene e distribua esses documentos de modo cognitivo, a fim de que o usuário possa recuperar essas informações. Isso porque o profissional da informação necessita compreender a imagem, a sua linguagem não-textual, já que, muitas vezes, as imagens podem possuir caráter ambíguo.
Em “Da fotografia analógica à ascensão da fotografia digital”, Erivam Morais de Oliveira levanta uma discussão muito importante para nós da Ciência da Informação entre a fotografia analógica e a digital. O autor coloca que com o advento da tecnologia, o acesso a foto digital está muito mais fácil, permitindo que qualquer um possa tirar fotografias. Além disso, os computadores e os softwares de tratamento de imagens permitem que as fotografias sejam tratadas e até mesmo alteradas, questionando aí a veracidade de um fato e, até mesmo, a real beleza plástica de uma pessoa. Outro ponto que o autor toca é o da preservação das imagens, citando as facilidades de armazenamento e difusão das fotografias digitais, porém muito mais passíveis de serem perdidas por problemas de vírus ou por obsolescência do tipo de suporte para o armazenamento. Essas questões devem ser analisadas nas unidades de informação, pois a preservação desse tipo de documento exige uma política cuidadosamente traçada para tal; além disso, o profissional da informação deve estar atento às questões éticas de modificação de fotografias que comporão o acervo, a fim de que possa oferecer um serviço de acesso à informação confiável aos seus usuários.

Referências:

LEITE, Ênio. Fotografia: a linha do tempo. Disponível em: <http://www.fotografia-dg.com/fotografia-a-linha-do-tempo/>. Acesso em 20 set. 2010.

OLIVEIRA, Erivam Morais de. Da fotografia analógica à ascensão da fotografia digital. Disponível em: <http://moodleinstitucional.ufrgs.br/mod/resource/view.php?id=101592>. Acesso em 20 set. 2010.

SILVA, Rosi Cristina da. O Profissional da Informação Como Mediador entre o Documento e o Usuário: a experiência do acervo fotográfico da Fundação Joaquim Nabuco. Disponível em: <http://moodleinstitucional.ufrgs.br/mod/resource/view.php?id=101593>. Acesso em 20 set. 2010.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Será que esse blog é bacana?

Dando continuidade ao que se está discutindo por aqui, coloquei em prática o que se conversou no post passado. Assim, peguei o blog da Biblioteca Central da UFRGS e a avaliei segundo os critérios para avaliação de blogs da Jiménez Hidalgo e do Salvador Bruna (2007). Esses critérios são divididos em seis grandes blocos: parâmetros gerais; identidade, informação e serviços; estruturas e navegação; layout da página; acessibilidade; e visibilidade. Vamos ver, então, a análise?


PARÂMETROS GERAIS:
Tipologia do blog (pessoal, institucional: Institucional
Têm objetivos concretos e bem definidos? Sim
Se os objetivos estão definidos, os conteúdos se ajustam a eles? Sim
Existe uma política editorial de aceitação de contribuições? No blog consta endereço de e-mail para o envio de mensagens com contribuições, mas não há uma política editorial de aceitação publicada
Tem domínio próprio? Sim
Tem uma URL correta, clara e fácil de recordar? Sim
Mostra, de forma precisa e completa, que conteúdos ou serviços oferece? Sim
A estrutura geral do blog está orientada ao usuário? Sim
É coerente o desenho (layout) geral do blog? Sim
É atualizado periódicamente? Sim, quase que diariamente
Oferece algum tipo de subscrição? Sim

IDENTIDADE, INFORMAÇÃO E SERVIÇOS:
A identidade do blog é mostrada claramente em todas as páginas? Sim
Existe informação sobre(s) criador(es) do blog? Não
Existe um logotipo? Sim
O logotipo é significativo, identificável e visível? Sim
Existe alguma forma de contato com os responsáveis pelo blog? Não
Nos posts: - é mostrada claramente informação sobre o autor? Não
                   - é mostrada claramente a data de publicação? Sim
                   - oferece links permanentes? Sim
É dada informação sobre número de usuários registrados e convidados? Não
Existe um calendário de publicação? Não
Existe um arquivo onde consultar posts anteriores? Sim
Existe alguma declaração ética? Não
Oferece links para outros blogs? Sim
Oferece links externos a outros recursos de informação? Sim
Apresenta uma lista de palavras-chave para cada post? Não
Está traduzido em outros idiomas? Não
Existe algum tipo de controle sobre conteúdos polêmicos? O blog nada traz a respeito disso
Possui uma seção de ajuda? Não
O link da seção de “Ajuda” está colocado em uma zona visível? Não se aplica
Oferece uma vista prévia antes de publicar? Não se aplica
Existe algum tipo de buscador? Sim
O buscador encontra-se facilmente acessível? Sim
Permite a busca avançada? Não
Mostra os resultados de forma compreensível para o usuário? Sim
Dispõe de ajuda para realizar a busca? Não
Qual o número médio de comentários (calcular sobre os 10 últimos posts)? Não há comentários

ESTRUTURAS E NAVEGAÇÃO:
A estrutura de organização e navegação está adequada? Sim
Tem algum sistema de navegação distinto da navegação por datas? Não
Os posts estão classificados tematicamente? Não
Que número de clics são necessários para ver os comentários aos posts? Não há comentários nos posts
Que número de clics são necessários para fazer comentários aos posts? Não existe essa possibilidade
Os links são facilmente reconhecíveis como tais? Sim
A caracterização dos links indica seu estado (visitados, ativos, etc.)? Sim
Existem elementos de navegação que orientem o usuário sobre onde está e como desfazer sua navegação? Não
Existem páginas “órfãos”? Não

LAYOUT DA PÁGINA:
São aproveitadas as zonas de alta hierarquia informativa da página para conteúdos de maior relevância? Sim
Foi evitada a sobrecarga informativa? Sim
É uma interface limpa, sem ruído visual? Sim
Existem zonas em “branco” entre os objetos informativos da página, para poder descansar a vista? Sim
É feito um uso correto do espaço visual da página? Sim
É utilizada corretamente a hierarquia visual para expressar as relações do tipo “parte de” entre os elementos da página? Sim

ACESSIBILIDADE:
O tamanho da fonte foi definido de forma relativa? Sim
O tipo de fonte, efeitos tipográficos, tamanho da linha e alinhamento empregados facilitam a leitura? Sim
Existe um alto contraste entre a cor da fonte e o fundo? Sim
Inclui um texto alternativo que descreve o conteúdo das imagens apresentadas? Não
O site web é compatível com os diferentes navegadores? Sim
Visualiza-se corretamente com diferentes resoluções de tela? Sim
Pode-se imprimir a página sem problemas? Sim

VISIBILIDADE:
Link – Google: Sim
Link – Yahoo: Sim
Link – MSN: Sim
PageRank: Recebeu avaliação 6 de 10
Twitter: Sim (http://twitter.com/bc_ufrgs), divulgado no próprio blog
YouTube: Não
Orkut: Não
Facebook: Não
Unik: Não

AVALIAÇÃO GLOBAL:
O blog da Biblioteca Central da UFRGS, segundo informações dos autores Jiménez Hidalgo e Salvador Bruna (2007), é um dos poucos de caráter institucional existentes. Nele encontramos os objetivos bem claros e definidos, mas não existe publicada uma política de aceitação de colaborações. Possui domínio próprio, estrutura coerente e seus posts são atualizados com uma frequência bem alta.
Aceita colaborações de posts de usuários, que devem enviá-los através de e-mail divulgado no blog. Não aceita comentários nos posts publicados, talvez por seu próprio caráter institucional. Também não possui busca avançada, o que seria muito interessante, já que o blog existe desde o ano de 2005 e conta com mais de 1200 posts.
A navegação é amigável, os posts são bem visíveis e de fácil acesso. Contudo, não há elementos de navegação que orientem o usuário; sem esse suporte, até os mais experientes podem se perder.
O layout do blog é simples e eficiente. Não cansa o usuário. Uma coisa legal também é que não existem patrocinadores poluindo a tela.
No quesito acessibilidade, dos sete itens analisados, somente um recebeu resposta negativa: o blog não possui texto nas imagens.
O blog aparece no Google, Yahoo e MSN, além de possuir Twitter. No PageRank recebeu avaliação 6, que é um valor superior à média, conforme Jiménez Hidalgo e Salvador Bruna (2007).

Referências:


JIMÉNEZ HIDALGO, Sonia; SALVADOR BRUNA, Javier. Evaluación formal de blogs con contenidos académicos y de investigación en el área de documentación. El Profesional de la Información, v.16, n. 2, p. 114-122, mar./abr. 2007.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Separando o joio do trigo


Uma coisa que tem que ficar muito clara para nós é que nem tudo que está na internet tem qualidade, é verdade, é original, é confiável, enfim, há um sem número de características que poderíamos ficar aqui elencando. E como bem coloca TOMAEL et al, (200?) “alguém que passe certo tempo surfando na Web acaba por encontrar o bom, o mau e o feio, isto porque, devido à abertura do sistema, qualquer pessoa pode colocar qualquer tipo de informação na Internet”. É claro, a internet trouxe um mundo de informações a nossa porta e isso modificou a sociedade em que vivemos (há quem chame de Quarta Revolução o que estamos passando hoje), ou seja, todo esse blábláblá que já conhecemos. Mas a discussão aqui não é essa. A questão que se quer colocar em pauta é: até que ponto se pode utilizar a internet (hoje discutiremos os blogs apenas) como um canal crível de comunicação?

Os blogs, essas tão fascinantes e acessíveis ferramentas que a internet nos oferece, escritas por qualquer um que queira ter um blog e se tornar um blogueiro, nem sempre são fontes verossímeis de informação. ALVIM (2008), em “A Avaliação da Qualidade de Blogues”, coloca que os blogs devem ser autênticos, íntegros, atualizados e confiáveis para serem considerados como um bom canal de informação. Para tanto, a autora propõe a utilização de uma série de critérios a serem aplicados aos blogs:
- Tema: verificação da amplitude e da profundidade do tema.
- Conteúdos: certificação de quem é o autor que escreve; precisão, atualidade e originalidade das informações expostas; e qualidade da escrita.
- Acesso e facilidade de uso: formas de pesquisa dentro do blog, organização, estabilidade do blog, existência de links (vídeos, imagens, gráficos, etc.), idioma e acessibilidade.
- Desenho gráfico: aparência (layout).
- Público e objetivos: metas, usuários, contador de visitas e participação do público.
- Divulgação: patrocínios e avaliações recebidas por sistemas.
- Custos: hospedagem do blog paga ou não paga.
Já para JIMÉNEZ HIDALGO e SALVADOR BRUNA (2007), em “Evaluación formal de blogs con contenidos académicos y de investigación en el área de documentación”, é de suma importância que os blogs possuam uma via de troca de informação entre autor e usuários. Além disso, eles colocam que a atualização é outro item a ser considerado na avaliação dos blogs. A atualização demonstra zelo e preocupação do autor com o que ele está oferecendo aos seus leitores. A veracidade e a qualidade dos conteúdos postados também são itens considerados pelos autores.
Convém falar também a respeito dos tipos de blogs. Segundo PRIMO (2008) existem quatro tipos de blogs, a saber: profissional, pessoal, grupal e organizacional. As diferenças entre eles ficam mais evidentes se analisarmos os seus subtipos.
Em “Blogs e seus gêneros: Avaliação estatística dos 50 blogs mais populares em língua portuguesa, PRIMO (2008) informa que o blog profissional se caracteriza por ser individual e por sua especialização de seu autor em determinada área, podendo não só isso ser identificado em seus posts, como sendo essa sua atuação profissional o respaldo para o leitor e razão de seu interesse no blog. É possível que impressões pessoais sejam colocadas no blog, mas isso não inviabiliza que o blog se torne fonte de rendimentos e atividade profissional. São subtipos do blog profissional: profissional auto-reflexivo (onde o blogueiro reflete sobre suas próprias atividades em seu campo de atuação), profissional informativo interno (onde o profissional descreve informações sobre suas práticas), profissional informativo (no qual os posts estão direcionados principalmente para a divulgação de textos sobre a atividade principal do autor) e profissional reflexivo (em que o blog individual tem como cerne opiniões e críticas relacionadas à sua área de atuação profissional).
Continuando, o blog pessoal é caracterizado por não possuir objetivos nem estratégias. Resultam da necessidade das pessoas expressarem-se e interagir umas com as outras. Podem conter piadas, fofocas ou, até mesmo, podem atuar como repositório de informações. São subtipos do blog pessoal: pessoal auto-reflexivo (onde o blogueiro reflete sobre sua própria vida, a dos outros e sobre a vida cotidiana), pessoal informativo interno (como se fosse um diário, em que o blogueiro relata viagens, festas, etc.), pessoal informativo (os posts estão direcionados principalmente para a divulgação de informações que o autor julga ser interessantes) e pessoal reflexivo (tem como cerne opiniões e críticas relacionadas à área cultural).
Já o blog grupal caracteriza-se por ser escrito por pelo menos dois autores, com posts individuais e/ou em grupo, foca-se na troca de informações e no convívio entre os participantes. São subtipos do blog grupal: grupal auto-reflexivo (o grupo discute as suas próprias atividades), grupal informativo interno (o grupo relata as suas atividades), grupal informativo (o grupo divulga informações e notícias) e grupal reflexivo (o grupo discute assuntos de interesse comum).
E, finalmente, o blog organizacional é caracterizado pelo objetivo, por sua organização e pelas relações de hierarquia entre os seus membros, que publicam os seus posts conforme a cultura organizacional. São subtipos do blog organizacional: organizacional auto-reflexivo (reflexão a respeito das atividades da organização), organizacional informativo interno (publicação de notícias e avisos de cunho interno à organização), organizacional informativo (registro de informações a respeito da área de atuação da organização) e organizacional reflexivo (manifestação de opiniões).
Bem, analisar os tipos de blogs e tentar classificá-los tem um importante papel didático e nos auxilia a tentar entender os diferentes tipos de informações relevantes (as irrelevantes não interessam) existentes na web. Mas essa classificação só terá valor se soubermos realmente buscar as informações que nos interessam e direcionar nossas buscas para blogs que tratem de assuntos que sejam de nosso interesse. Por enquanto, ficam as ferramentas para classificar a vasta informação que nos é colocada à disposição, como foram expostas no início desse post. O próximo passo é saber utilizar os critérios de avaliação de qualidade e filtrar dentro dos tipos (e seus subtipos) aquilo que realmente nos servem nos blogs. Até a próxima!


Referências:


ALVIM, Luísa. A Avaliação da Qualidade de Blogues. Aveiro : Universidade de Aveiro, 2008. Disponível em: <http://moodleinstitucional.ufrgs.br/mod/resource/view.php?id=112930>. Acesso em: 27 ago. 2010.




JIMÉNEZ HIDALGO, Sonia; SALVADOR BRUNA, Javier. Evaluación formal de blogs con contenidos académicos y de investigación en el área de documentación. In: El profesional de la información, mar./abr. 2007, v. 16, n. 2, p. 114-122. Disponível em: <http://moodleinstitucional.ufrgs.br/mod/resource/view.php?id=112929>. Acesso em: 27 ago. 2010.




PRIMO, Alex. Blogs e seus gêneros: Avaliação estatística dos 50 blogs mais populares em língua portuguesa. In: XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação - Intercom 2008, Natal. Anais, 2008. Disponível em: <http://moodleinstitucional.ufrgs.br/mod/resource/view.php?id=112932>. Acesso em: 27 ago. 2010.




TOMAÉL, Maria Inês et al. Avaliação de Fontes de Informação na Internet: critérios de qualidade. Disponível em: <http://moodleinstitucional.ufrgs.br/mod/resource/view.php?id=112931>. Acesso em: 27 ago. 2010.